Toca (aqui) Raúl! – O Aperto de Mãos

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Na esquina do mundo em que se transformou a África do Sul nos últimos dias, por conta do funeral de Nelson Mandela, cerca de 60 mil espectadores e cem chefes de estado de todas as partes do planeta puderam presenciar o inesperado: O inédito aperto de mão entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o líder cubano Raúl Castro.

E como tudo que envolve as polêmicas relações EUAxCuba, o gesto gerou reações das mais diversas. Desde a estridência dos republicanos e emigrados (aqui), rechaçando todo e qualquer ato de boa vontade, à percepção mais geral de que a cena não passou de mero protocolo, mínima educação.

Mas a política também é feita de símbolos. Por vezes, o olho no olho, o aperto de mão, revelam-se mais eficientes do que meses a fio de longas negociações em altos escalões (que, nesse caso, também não ocorrem).  É essa a função intrínseca do líder.

Dos homens que passaram pela Casa Branca, Obama é, sem dúvida, o líder estadunidense que reúne os melhores predicados para transformar o gesto simbólico em uma aproximação efetiva. É o mais afeito ao diálogo, o que menos deve eleitoralmente aos cubanos de Miami, o mais atento às questões sociais, rotulado forçosamente de ‘comunista’ pelos adversários.

Com o governo cubano sempre acuado, o primeiro movimento cabe aos EUA. Fechar a prisão de Guantánamo, compromisso de campanha de Obama, garantiria enorme trunfo ao governo americano, que sem isso, fica em posição extremamente vulnerável para cobrar de Havana o respeito aos direitos humanos. Como acusar os Castro de perseguir opositores, quando acusados de terrorismo são torturados pelo serviço secreto americano ali do lado?

O governo brasileiro pode, e deve, desempenhar um papel central no estímulo e intermediação das negociações entre as partes.  Nossa diplomacia tem credenciais de sobra para tanto. Cabe lembrar que o acordo do Irã com os EUA sobre a questão nuclear do primeiro, celebrado nas últimas semanas pela comunidade internacional, só foi possível depois de uma primeira ofensiva diplomática liderada pelo ex-presidente Lula e o Primeiro-ministro Turco, Recep Erdogan, ainda em 2010.

Com Cuba, nossa relação é muito mais próxima. Além dos laços históricos e culturais que nos ligam, a simpatia ideológica dos governos do PT pela Ilha, faz de Dilma uma figura central, com credibilidade de ambos os lados, para promover o entendimento.

Inspirados por Mandela, e pelo seu legado conciliador, Obama e Raúl tem a oportunidade de entrar para a história, como àqueles que efetivamente contribuíram para a mudança de seu curso, para um melhor. E que termine, por fim, com injusto, anacrônico e injustificado embargo, deixando Cuba livre para seguir seu caminho, com seus acertos e erros.

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Uma resposta para Toca (aqui) Raúl! – O Aperto de Mãos

  1. Mariana Del Casalle disse:

    Enquanto o mundo se preocupava com a selfie de Obama e a “cara de ciúme” de Michelle, você fez uma atenta e importante análise sobre o inédito aperto de mão. Continue exercitando!

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