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Obscenidades da Educação Paulista
Neste início de segundo semestre letivo fomos mais uma vez surpreendidos por polêmicas em torno dos livros distribuídos pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE). Juntamente com outros dois títulos que compõem o programa ‘Apoio ao Saber’, a SEE entregou aos alunos do terceiro ano do ensino médio a coletânea ‘Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século’. No centro da questão, que tem causado alvoroço entre pais, alunos e professores, está o texto ‘Obscenidades Para uma Dona de Casa’ do escritor Ignácio Loyola Brandão.
Nele, que narra fantasias amorosas de uma mulher, o autor se utiliza de palavrões e termos chulos, além de descrições apimentadas de um ato sexual. Os moralistas, notadamente pais e certos professores, sentiram-se ofendidos com o texto. Já os alunos, com toda irreverência e furor típicos da juventude, esbaldam-se com o conteúdo erótico.
Como em todo ambiente plural e democrático, as opiniões divergem e o debate pega fogo. As discussões vão desde a escolha dos autores, se mereceriam ou não figurar numa lista dos ‘cem melhores’, outros tantos autores que ficaram de fora, e principalmente, se os textos selecionados atendem as necessidades pedagógicas e linguagem adequada ao ambiente escolar.
Os progressistas apontam a necessidade de estimular o debate sexual tanto nas escolas quanto nos lares, e alegam que as ‘obscenidades’ ali constantes não são piores que aquelas presentes em outros setores. Ainda sim, cabe de novo perguntar se a abordagem é a mais apropriada do ponto de vista pedagógico.
Os desdobramentos são mais graves, na medida em que nem os pais, nem os alunos, nem os professores, participaram da seleção do conteúdo. Os livros, ainda que distribuídos gratuitamente, foram comprados com dinheiro do contribuinte, o que garante a cada pai ou mãe, cada professor e cada aluno o direito de questionar tal ação.
Além das questões pedagógicas, a compra de tal livro suscita outro tipo de preocupação. A dita coletânea é editada pela Objetiva, pertencente ao grupo espanhol Prisa-Santillana. Não haveria problemas se não fosse a reincidência das relações econômicas entre a SEE e tal grupo. Em outra ocasião, a Secretaria comprou, sem licitação, assinaturas do jornal espanhol ‘El País’, do mesmo grupo.
E mais, no site da Fundação Santillana no Brasil, descobrimos que seu conselho consultivo é formado pelos tucanos Fernando Henrique Cardoso e pelo atual Secretário de Educação do Estado, Paulo Renato Souza, além dos Senadores Cristovam Buarque e José Sarney e a Nélida Pinon. As práticas econômicas se assemelham àquelas tratadas neste espaço no texto ‘A Educação Estadual, os lobistas e a Editora Abril. Não parece deslize, parece método, que se repete a cada nova situação.
Todos esses eventos demonstram a necessidade de toda a comunidade escolar (alunos, pais, professores, diretores, funcionários) manter a vigilância tanto na aplicação dos impostos na área da educação, como na relação com a qualidade do conteúdo dos materiais distribuídos. Afinal, foram comprados com nosso dinheiro e oferecidos aos nossos alunos.
Publicado em educação, Eleições 2010, política
Com a tag educação, FHC, Governo de São Paulo, lobby, Paulo Renato, PSDB, Secretaria Estadual de Educação, SEE, Tucanos
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Clipping ‘Obscenidades’
Ao dar início ao segundo semestre do ano letivo, os alunos do terceiro ano do ensino médio, da rede de escolas públicas estaduais, foram agraciados com uma caixa de livros constantes do projeto ‘Apoio ao Saber’. Na caixa foram incluídos três títulos: Canto Geral (Ed. Bertran Brasil – Grupo Record), do poeta chileno Pablo Neruda, Casa de Bonecas (Ed. Vida e Consciência), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen e a coletânea de contos ‘Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século’.
A polêmica se desdobra em torno do conto ‘Obscenidades para uma dona de casa’, de Ignácio de Loyola Brandão (pág. 471-477), que integra a coletânea ‘Os Cem Maiores Contos…’. Nele, uma dona de casa solitária detalha cartas obscenas que recebe de um amante. No contexto da narração, o autor escreve palavrões e termos chulos. Os questionamentos aparecem quanto à razoabilidade ou não de proporcionar o contato com um texto de tal teor, por alunos, menores de idade, da rede pública estadual.
Através deste link, pode-se conferir, na íntegra, o referido texto.
http://www.releituras.com/ilbrandao_obscenidades.asp
Repercussão na Mídia
08 de agosto 21010 – O Estadão.com.br informa a polêmica causada a partir da distribuição dos livros em escolas públicas de São Paulo.
http://www.estadao.com.br/noticia_imp.php?req=not_imp591716,0.php
17 de agosto de 2010 – A Gazeta de Piracicaba também aborda o tema, na editoria Cidade.
http://www.gazetadepiracicaba.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1701824&area=26050&authent=4C88DAE91243733DC9EDFD0132320A
19 de agosto de 2010 – O tema aparece no portal G1.com, sendo replicado em matéria na TV Globo e da TV TEM, filiada da emissora.
20 de agosto de 2010 – O G1.com abre espaço ao autor do conto, Ignácio de Loyola Brandão.
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/08/pais-que-pedem-recolhimento-de-livro-sao-burros-diz-escritor.html
Em rápidas pesquisas realizadas sobre o assunto, verifica-se que a edição do livro em questão é da editora Objetiva, que pertence a um grupo de mídia espanhol chamado Prisa-Santillana, também dono da Editora Moderna, forte atuante no mercado editorial brasileiro, com ênfase em material didático.
De acordo com o site da Fundação Santillana, o conselho consultivo no Brasil é composto por Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato Souza, José Sarney, Cristovam Buarque e Nelida Píñon. http://www.fundacaosantillana.com.br/06_releases_2.asp
As relações econômicas da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o grupo espanhol Prisa-Santillana não são inéditas. Sabe-se que também compraram, sem licitação, assinaturas do jornal EL País, que também é de propriedade do grupo Prisa-Santillana. http://namarianews.blogspot.com/2010/05/paulo-renato-y-sus-hermanos-de-espana.html
O caso guarda semelhanças com as relações entre a SEE e o Grupo Abril, na compra das Revistas Nova Escola e Recreio. Contratos milionários, sem licitação, tema discutido em artigo no blog do Tiago Pereira http://tiagopereira.wordpress.com/2009/06/12/a-educacao-estadual-os-lobistas-e-a-editora-abril/
Ainda sobre a questão dos conteúdos inapropriados, não parece haver ineditismos, como os jornais de cerca de um ano atrás podem confirmar:
Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u568059.shtml
G1
http://busca2.globo.com/Busca/g1/?query=livros+eroticos+educa%C3%A7%C3%A3o
Publicado em educação, Literatura, Mídia, política
Com a tag educação, Loyola Brandão, obscenidades, Paulo Renato, PSDB, São Paulo, Serra
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Lula, Dilma e o Zé
Ele assumiu que era candidato somente na última hora. Antes do período eleitoral, buscava não se expor. Do alto dos números das pesquisas, que o colocavam numa confortável liderança, achava que poderia ganhar sem jogar. A impressão que dá é que esperava ser aclamado. Afastava-se de FHC mas enaltecia sua passagem como ministro da Saúde, autointitulado o melhor de todos os tempos. Soa contraditório. A mídia concordava. O povo, nem tanto.
A maré mudou, e embalado na chamada onda vermelha, que tem Lula como principal arquiteto e uma forte sustentação em blogs e redes da internet, Dilma subiu. Serra despencou. Se Alckmin, em 2006, conseguiu a proeza de perder votos do primeiro para o segundo turno, Serra parece que fará pior. A fatura pode ser liquidada já no primeiro tempo.
É o que aponta a última rodada das pesquisas: A Sensus, a primeira da nova leva traz Dilma com 41% e Serra com 31%. Na sequencia, o Ibope mostra liderança menos folgada: 39% Dilma, 34% Serra. O Datafolha, pela primeira vez, trouxe Dilma à frente com 41%. Serra 33%. Por fim, na última terça, a pesquisa Vox Populi aponta a candidata petista (Dilma 45%) com 16 pontos de frente sobre o tucano José Serra (29%). O que era pra ser uma ciência dita exata, traz números bastante diferentes. Mas a tendência é clara. Dilma sobe e lidera. Serra cai. Marina parece não conseguir romper a barreira dos dois dígitos. Demais candidatos não ultrapassam dos 2%, quando chegam.
O primeiro turno bate à porta. E a pressão sobre Serra aumenta. E o descontrole aparece. Em vez de propostas, o candidato gasta preciosos minutos na TV fazendo gracinhas com jornalistas mulheres ou brigando com os outros, homens e mulheres.
No horário eleitoral, deixou de ser Serra para ser o Zé, numa tentativa de se parecer com o Lula da Silva. Parece que não cola. Alckmin também tentou ser Geraldo. Não deu certo. Por fim, as propostas alucinadas: distribuição de 100 milhões de livros por ano. Dobrar o Bolsa-família… E ainda ter que carregar o DEM, que foi até o Supremo Tribunal Federal reclamar e tentar suspender o ProUni, que garante o acesso de milhões de estudantes ao nível superior. É dura a vida de candidato…
Publicado em Eleições 2010, Mídia, política
Com a tag Bolsa-família, DEM, Dilma, Eleição, FHC, Horário Eleitoral, Lula, Prouni, PSDB, PT, Serra
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A cadeira do JN
Muito se fala do poder da mídia no Brasil e no mundo, desde sempre. Alguns chegam a falar num ‘quarto poder’, em complementação à estrutura clássica de organização política dividida em três poderes: executivo, legislativo e judiciário. No nosso país, o poder de influência dos grandes grupos de mídia já faz parte inclusive do ideário nacional. É comum ouvirmos, em taxis ou mesas de bares, que a Globo elegeu ou derrubou esse ou aquele presidente. Exageros à parte, é inegável o poder de influência da grande mídia. Inegável também o histórico de manipulações, bem e mal sucedidas. Lula, Collor, Brizola…
Voltamos a 2010 com a campanha presidencial, que entrou numa fase decisiva. Justamente a fase em que os candidatos estabelecem situações de contato e diálogo com os veículos de mídia. Sabatinas, debates, entrevistas. Uma prova de fogo para aqueles que desejam se eleger. O primeiro debate, ocorrido na semana passada e transmitido na Band, pouca coisa trouxe de novo. Cautela e certa decepção generalizada. Ninguém saiu empolgado, derrotado ou satisfeito. Nem políticos, jornalistas, e partidos, nem os eleitores-espectadores.
Nos últimos dias, os candidatos foram submetidos a novos testes de resistência. Tiveram que enfrentar a mais importante, temida e respeitada cadeira do jornalismo brasileiro, o Jornal Nacional. Ao lado de Willian Bonner, que ocupa a principal cadeira, sua mulher, Fátima Bernardes, cumpre o papel de primeira-dama . Trata-se do principal programa jornalístico da principal rede televisiva do país, como todos sabem. Formam um belo casal, de vasta experiência, e íntimos das famílias de todo o país.
Dilma foi primeiro. Pelo seu desempenho, recebeu uma rosa do Presidente Lula, que a aconselhou: “não fique nervosa nunca, não perca as estribeiras nunca, não aceite provocação nunca, porque a verdade nua e crua é que tem muita gente com medo que uma mulher possa provar que tem mais capacidade de fazer muita coisa do que os homens já fizeram”.
Digamos que Bonner tenha sido um pouco deselegante e impertinente na entrevista. Trabalharam com estereótipos e preconceitos. O jornalista da Record e blogueiro Carlos azenha assinalou a contradição “Teria um ‘temperamento difícil’, teria ‘maltratado’ colegas. Mas, ao mesmo tempo, não conseguiria governar sem Lula, o tutor.”. Fala Dilma: “Você sabe, Bonner, o pessoal tem de escolher o que é que eu sou. Uns dizem que sou mulher forte, outros que eu tenho tutor.”
A experiência, Bonner parece ter deixado em casa, e foi preciso inclusive que sua mulher interviesse para que pudesse prosseguir a entrevista num melhor caminho “Só um minutinho”, roubando-lhe a palavra que ele a todo momento tentava roubar de Dilma.
Digamos que a Globo e seus jornalistas, comandados atualmente por Bonner, ainda que insistam na suposta imparcialidade, são ainda mais impacientes com o PT. A grande mídia como um todo não apóia Lula e o PT, pelo contrário. Vale também para a Veja, a Folha.
Dois dias depois, foi a vez de Jose Serra. Aí sim, um bom desempenho do casal, perguntas pertinentes foram feitas, no tom necessário. Complacência demais com o entrevistado colocaria de vez a respeitabilidade do jornal em risco. Como bom jornalista, faltou esclarecer, ao tratar do pedágio, que a iniciativa privada arrecadou mais de 3 bilhões de reais só esse ano. As estradas de São Paulo estão ótimas, mas cheias de pedágio. E caríssimas. É esse o modelo para o país?
Publicado em Eleições 2010, Mídia, política
Com a tag Bonner, Dilma, Jornal Nacional, Mídia, PT, Serra
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Futebol e política
O primeiro é a paixão nacional. A segunda é apontada por alguns como a desgraça da nação. Ambos atingem o seu ápice de quatro em quatro anos. O primeiro, globalmente. É a copa do mundo. A segunda, o calendário é definido nacionalmente. No nosso país, por obra do acaso ou do destino, acontecem atualmente no mesmo ano, numa curta distância de tempo. A copa passou e perdemos. A eleição está por vir.
O primeiro mobiliza massas. Cada um tem seu partido. E muitos, dos mais ferrenhos militantes, aos domingos enchem os estádios para torcer pelo seu time de coração, aquele que, racional e intuitivamente, cada um nutre maior identificação. Cada time tem seu jeito de jogar, que depende da história, da cor da camisa, do técnico e dos jogadores. E também da torcida. A segunda também. Ambos são os chamados fenômenos de massa. Que mobilizam. De maneiras diferentes, porém com certa similaridade. Têm regras. Cartão vermelho, punições, falta e gols. De um lado e de outro, na busca pela vitória. Tem que ter defesa e tem que ter ataque. Tem que ter projeto. Ideologia. E principalmente, bons jogadores. Uns jogando pela esquerda, outros pela direita, ataque e defesa. Só não vale arrancar a perna, matar, desviar dinheiro público, nem tentar comprar votos.
Os dribles são permitidos, e em diversos critérios, valorizados. Paradinha gera debate. Impedimento gera debate. Expulsão. Tanto na política como no esporte, quem fugir da regra e for pego, se dopando ou desviando dinheiro, será punido. Seja com cassação, expulsão ou derrota. Nas urnas ou dentro das quatro linhas.
O jogo das nossas eleições está montado. O primeiro tempo está marcado para 3 de outubro. O primeiro amistoso, o debate, está marcado para amanhã. Temos que acompanhar e torcer, por aquele time que a partir de suas características toca o nosso coração de alguma maneira. Cada time com suas propostas e projetos. Cada time com a sua militância. Com seus zagueiros e atacantes. Meu time é vermelho.
Publicado em Eleições 2010, esporte, política
Com a tag Futebol, mobilização, política, torcida, vermelho
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Choro da despedida
Se dependesse de alguns jornais, se dependesse de algumas televisões, e se dependesse de algumas rádios, eu to falando algumas para não generalizar, eu teria zero na pesquisa. Essas foram as primeiras palavras do presidente Lula em entrevista transmitida na última semana pelo jornalismo da Rede Record de TV. A ‘grande mídia’ fala mal do Lula, e ele fala mal da grande mídia. Não é de hoje, sempre foi assim. Faz parte do jogo democrático, mas convém não exagerar. De um lado e do outro, vira golpismo.
Ainda em quase ‘off’, Lula pede que a jornalista faça as perguntas que lhe vier a cabeça, sem restrições. A jornalista ‘provoca’ e pede que o presidente comente matéria da Revista Veja que fazia uma caricatura da sua figura, com uma coroa na cabeça, como um mau exemplo de desrespeito às leis. A matéria tratava das multas do TSE durante o processo de campanha. Lula responde: “Primeiro que eu não vejo essa revista, portanto, a mim não quer dizer nada isso. Como eu não preciso deles, pra nada, pra nada, sabe, eu, eles tem liberdade de dizer o que eles quiserem a meu respeito. E eu, quero ter a liberdade de dizer o que eu penso deles, do jeito que eu quiser. Não posso dizer tudo porque eu sou presidente da república.
A Veja, em semanas anteriores, trazia a lendária capa do ‘monstro do radicalismo’, representado por uma ‘besta’ de cinco cabeças, com uma estrela vermelha ao fundo. A Editora Abril, ‘dona’ da Veja, tem contrato de fornecimento de outra revista, a ‘Nova Escola’, com a secretária estadual de educação do PSDB de São Paulo, assinado durante a gestão Serra. Serra é amigo dos jornalistas. Ou melhor, dos donos. Na semana seguinte, a Veja tratou de chamar o vice do Serra, o Índio, de bom de briga. A briga é acusar o PT de associação com as FARC e com o narcotráfico. Esqueceram de convidar a Regina Duarte. Ela deve estar, de novo, com muito medo. Temas relevantes não são discutidos. Será que não estamos pagando demais em pedágios? A Veja não acha, ou não se manifesta. Ou talvez o problema é mais grave em São Paulo?
Voltando à entrevista. O ápice da matéria foi quando, ao falar dos mais pobres, Lula chora. “Eu fiz conferencia com tudo que você possa imaginar nesse país. Orgulho, Adriana, no dia em que eu, embaixo daquela ponte lá no Glicério, eu vi o BNDES (banco público de estímulo) assinar o empréstimo de 200 milhões de Reais para a Cooperativa de Catadores de Papel, ai eu falei “agora sim, esse país…”. E vieram as lágrimas. Esse país tem jeito. E o choro pareceu absolutamente sincero.
“É o clima de despedida, presidente?’’, pergunta a repórter. “Não, eu acho que é o… é o clima, do reconhecimento de que as pessoas passaram a perceber que o Brasil é deles.”. E mais uma vez, o presidente lembra das palavras de um dos catadores “‘A maior conquista nossa é o fato da gente estar dentro do palácio’, coisa que jamais eles pensaram em entrar…
Elas também freqüentam muito pouco o palácio, e nunca sentaram na cadeira. A Veja, além da Folha, O Globo dentre outros, tratam de vender a imagem da Dilma durona, radical, mas ela também chora. É só pesquisar no youtube por choro de lula ou choro de Dilma…
Sobre a entrevista do presidente, a grande mídia não foi capaz de abordar, de repercutir. Ninguém além da própria Record tratou do tema. No resto do mundo, foi notícia em todos os grandes jornais. A oposição também não deu declarações. O Serra vai dizer que é um trololó da Record… No falso jogo da imparcialidade, a Record não está com o tucano.
Publicado em Eleições 2010, Mídia, política, Retratando
Com a tag Dilma, Lula, Mídia, PSDB, PT, Record, Serra, Tucano, Veja
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Programa de Índio
O que dizer do candidato a vice de José Serra? Depois de tanta demora e indefinição, e os conseqüentes níveis de expectativa, a frustração foi inevitável. Esperavam o Aécio. Terminaram com o Índio. Que de índio não tem nada. Os amigos do DEM querem escondê-lo. Os do PSDB, se pudessem, trocavam. Já devem ter se arrepender da escolha. Será que os minutinhos a mais no horário de TV vale o esforço de carregar um vice desse tipo? Ouvi inclusive de um ‘especialista’ que “o candidato Serra escolheu o vice que vai lhe dar a derrota”. Mas desconsidere. Afirmou também que a candidata Dilma “cresceu (nas pesquisas) quando não podia crescer”. Não conhecia essa, imaginava que ‘crescer’ fosse bom sempre.
A primeira cena de deslumbramento já me referi anteriormente, quando Serra sugeria ao jovem índio que tivesse moderação com as amantes. Pegou mal. Mas era só o começo. Quando o Índio abrisse a boca, ai sim o drama começaria. Na internet, a militância adversária, numa provocação bem-humorada, já emplacou o ‘cala a boca, Magda’, ao candidato do DEM. Também o tratam por cacique-merendinha, Sarah Palin do Serra. Sarah Palin foi candidata a vice na chapa de John McCain derrotada pelo Democrata Obama nas últimas eleições americanas. Favor não confundir os Democratas de lá, com os DEM daqui. Estes, estão mais para ‘republicanos’.
É bacharel em direito. Um legítimo filho da zona sul carioca, da burguesia da praia. Seu pai é um arquiteto de renome. Foi prefeitinho do parque do flamengo, seja lá o que isso quer dizer, vereador por três mandatos, secretário de Governo na gestão César Maia. Como deputado, se apresenta como relator do ‘ficha-limpa’, o projeto moralizante e de cunho moralista que impede candidatos com pendências judiciais mesmo sem o devido julgamento. Em resumo, representante de um falso progressismo, atrás de um terno bem cortado e uma pele bronzeada.
Como vereador, chegou a propor projeto de Lei proibindo a ‘esmolagem’. Uns querem proibir os mendigos, outros querem ajudá-los a superar tal condição de pobreza. Talvez seja essa a grande distinção entre esquerda e direita. E o Dem e o índio são de direita. Não resta dúvida. Como secretário de César Maia, enfrentou graves denúncias de desvios e beneficiamentos na compra da merenda, que foram apontadas pela CPI da câmara dos vereadores. O processo de investigação ficou a cargo de uma tucana, em tese uma aliada, ao menos no plano nacional. Mas não o suficiente de poupar o Secretario de críticas quanto aos maus feitos na administração. Posteriormente, o processo foi arquivado.
Ele também já se opôs ao PROUNI, ao bolsa-família, ao pré-sal, à Cuba. Em visita a ilha de Fidel, diz ter provocado, com vontade de ser preso. Me permitam a ironia, podiam ter atendido a vontade do moço. Decididamente, não é um bom selvagem.
Antes que a Justiça eleitoral autorizasse, Índio saiu pedindo votos na Internet. Deve ser a afobação da idade. Do alto da imaturidade dos seus 39 anos, tratou de afirmar que o PT mantém relações com as FARC, com o narcotráfico, com o que há de pior. O bom e velho discurso de direita. O povo parece pensar diferente. Causou enorme reboliço dentro da aliança de oposição. E no meio da confusão, a reação foi a pior possível. Por ironia do destino, o DEM, com a delicadeza da política, praticamente ‘condenou’ as declarações do seu candidato. O PSDB endossou.
Por fim, acusa Dilma de “ateia”, como se fosse um xingamento. Tava demorando pra misturarem com religião. E “esfinge do pau oco”. Confesso que não entendi a metáfora política. Faltava a Serra um vice que lhe ajudasse, que agregasse. Escolheu o Índio. Talvez concorde com o ‘especialista’. O vice da derrota.
Publicado em Eleições 2010, política
Com a tag índio da Costa, DEM, Eleições, PSDB, Serra, Vice
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Catecismo antipetista
A liberdade de imprensa sofreu um duro golpe na última semana. O diretor de jornalismo da TV Cultura, Gabriel Priolli, foi afastado com fortes indícios de interferência política. A TV Cultura é uma emissora pública, controlada pelo governo do Estado de São Paulo. Supostamente, o renomado jornalista teria sido afastado por causa da produção de reportagem sobre o custo do pedágio das estradas paulistas.
Não é nem a primeira e nem a segunda vítima. ‘Perguntas impróprias’ sobre o pedágio, durante o programa Roda Viva, ao ex-governador José Serra também teriam levado ao afastamento de Heródoto Barbeiro. Priolli e Barbeiro não foram demitidos, apenas afastados. A demissão causaria burburinho ainda maior. Luís Nassif , outro elogiado jornalista e hoje um sucesso na internet como blogueiro, foi demitido (esse sim) no ano passado após uma matéria sobre a publicidade da SABESP, que espalhada pelo país com nenhum outro objetivo plausível, a não ser promover o atual candidato a presidência. Cabe frisar. A SABESP é uma empresa mista PAULISTA, não caberia propaganda em outros estados. O candidato nega participação, mas o histórico e os bastidores apontam para outros caminhos. O restante da mídia praticamente se cala, finge que não é com ela.
Por outro lado, uma parcela da dita ‘grande mídia’ continua assustada e faz assustar com os ditos ‘radicais do PT’. A revista Veja entrou de vez na campanha, ou nunca saiu. Na edição dessa semana, traz na capa a estrela do PT e um horrível monstro de cinco cabeças a representar os ‘radicais’. “A fera petista que Lula domou agora desafia a candidata Dilma”. Cheira terrorismo eleitoral. Discurso oposicionista barato. A imagem da capa é inspirada na capa do ‘O Catecismo anticomunista’, um livrinho católico escrito por D. Geraldo Proença.
A principal cabeça do monstro é tão o falado ‘controle da imprensa’. Desde que a proposta apareceu no Programa Nacional de Direitos Humanos, que atentava para o monopólio no setor e propunha o ‘controle social da mídia’, os grandes jornais fazem disso um cavalo de batalha. Alguns daqueles que colaboravam com a ditadura, hoje posam de defensores da liberdade e acusam o governo Lula, de maneira infundada, de querer descambar para a censura.
Compõem o restante do discurso conservador a ‘vista grossa’ do governo e PT com o MST, a bandeira da legalização do aborto, a revisão da lei da anistia e a proposta de taxação das grandes fortunas. Cabe perguntar: num país ainda com enorme desigualdade social, é tão absurdo fazer com que os mais ricos paguem mais impostos? A Veja acha que sim!
O ‘gancho’ para tudo isso foi o confusão em torno do registro da candidatura de Dilma Rouseff e a troca dos programas de governo. No lugar do programa da coligação, mais moderado, registraram o programa do PT, mais vermelho. Erro de gabinete, algo natural. Dias antes, a Folha fez confusão parecida com o anúncio de uma rede de supermercados, soltando a propaganda errada, que fazia referência à eliminação do Brasil da Copa, um partida antes da fatídica derrota. O candidato da oposição sequer registrou um programa. Na falta, anexou ao registro um ‘discurso’. A Veja ‘deu’ apenas uma legenda de fotografia. Preferiram não abordar o tema. Vai que o José Serra não gosta…
Publicado em Eleições 2010, Mídia, política
Com a tag controle social, Mídia, PT, Serra, TV Cultura, Veja
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